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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Craques Bianconeri: Gianpiero Combi

Giampiero Combi é um dos guarda-redes mais proeminentes da história da Juventus e do futebol italiano, sendo considerado um dos melhores antes da 2ª guerra mundial, juntamente com o espanhol Zamora e o checo Planicka. Sagrou-se campeão mundial em 1934 e venceu 5 scudetti com a maglia bianconera. Ficou conhecido como l'Uomo di Gomma (o Homem de Borracha), devido à sua extrema agilidade.

Combi nasceu em Turim a 20 de Dezembro de 1902, passando pelos escalões de formação bianconeri até se estrear na equipa principal a 5 de Fevereiro de 1922, numa derrota por 2-0 frente ao Milan. Daí em diante permaneceu como titular indiscutível da baliza da Juve durante uns incríveis 12 anos e meio, tendo vencido o primeiro scudetto em 1926, sofrendo apenas 18 golos nessa temporada, número simplesmente notável para a época.
No final da temporada 1923-24 esteve prestes a deixar o futebol. Giampiero e o seu irmão Maurizio possuiam uma destilaria de licores que se iria expandir para a América, levando com ela o talentoso guarda-redes, responsável pela área comercial da empresa. Para impedir a partida do seu guardião, a Juventus ofereceu um contrato profissional a Combi e o assunto resolveu-se.
De estatura média, 1m71, era extremamente robusto e possuía uma massa muscular impressionante. Tinha uma garra e uma vontade de jogar simplesmente incríveis que lhe permitiram jogar nas condições mais adversas como o comprovam três costelas rachadas num jogo contra o Modena, vértebras danificadas num desafio contra o Cremonese e por duas ocasiões feridas graves na cabeça, em virtude de saídas temerárias da baliza.
Fez parte da famosa equipa que conquistou o Quinquennio d'Oro, cinco campeonatos consecutivos entre 1931 e 1935, embora Combi tenha ganho apenas quatro, visto que se retirou em 1934.
Formou, na Juventus e na selecção italiana, com Virginio Rosetta e Umberto Caligaris, o trio defensivo mais famoso da história do futebol, que ficou conhecido como o Trio Combi-Rosetta-Caligaris, decisivo para a obtenção dos vários scudetti e do título mundial.

Estreou-se na nazionale a 6 de Abril de 1924 num desafio em Budapeste frente à Hungria que se revelaria desastroso para os azzurri. Estrondosa goleada infligida pela selecção magiar por 7-1, que afastou Combi da selecção cerca de 1 ano. Regressa à baliza azzurra apenas a 22 de Março de 1925, num desafio contra a França disputado em Turim com humilhante derrota gaulesa por 7-0! Durante os 10 anos seguintes rara foi a partida disputada pela nazionale que não teve Combi entre os postes.
Em 1928 esteve presente nos Jogos Olímpicos de Amsterdão conquistando a medalha de bronze frente ao Egipto, vitória dos azzurri por 11-3 no encontro de atribuição do 3º lugar.
Em Novembro de 1931 estreia-se como capitão da nazionale.
No final da temporada 1933/34, Combi está decidido a retirar-se dos relvados, mas adia a decisão alguns meses por expresso pedido do seleccionador nacional, Vittorio Pozzo, admirador confesso das qualidades do guardião da Juventus e convencido da extrema utilidade que a sua experiência conferiam à squadra azzurra.
Depois de um triunfo fácil sobre os EUA nos 1/8 de final por 7-1 seguiu-se a Espanha nos 1/4 de final, liderada pelo igualmente mítico guardião Zamora. O encontro disputado em Florença foi extenuante terminando empatado a uma bola. Na altura não havia prolongamento tendo-se jogado uma partida de desempate no dia seguinte com a Itália a sair vencedora 1-0 graças a um golo do lendário Meazza.
Apenas dois dias depois a Itália disputava a meia final em Milão frente à selecção austríaca, conhecida como Wunderteam, uma das melhores selecções na época. Guaita apontou o golo solitário do encontro, tendo Combi sido o herói azzurro ao efectuar duas defesas miraculosas perto do final da partida.
A 10 de Junho, a grande final em Roma frente à Checoslováquia de Planicka. Até ao intervalo manteve-se o nulo, mas aos 71', contra todas as expectativas, Puc colocou os checos na frente do marcador gelando por completo as bancadas! Orsi empatou a partida perto do final levando a partida para tempo extra onde um golo de Schiavio daria à Itália o seu primeiro título mundial! Combi terminaria a competição com apenas 3 golos sofridos, recebendo das mãos do ditador Benito Mussoilini o troféu Jules Rimet.

Retira-se dos relvados aos 32 anos tendo disputado 367 jogos pela Juventus, sendo ainda hoje o terceiro guarda-redes com maior número de presenças pelos bianconeri, só batido por Dino Zoff e Stefano Tacconi. Pela selecção italiana disputou 47 encontros.

O fim da carreira não lhe retirou a paixão pelo futebol, tendo desempenhado vários cargos na Juventus entre os quais o de colaborador técnico e o de olheiro. Em 1951 assumiu, juntamente com Carlino Beretta e Toni Busini, o comando técnico da selecção italiana durante 8 meses tendo vencido duas partidas e empatado três.

Morre prematuramente em 1956, devido a um enfarte, enquanto colaborava com o recém empossado presidente Umberto Agnelli para melhorar os destinos da Juventus, que passava por uma fase menos positiva. Graças a ele e aos seus valiosos serviços, a equipa irá num curto espaço de tempo regressar aos grandes triunfos.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Craques Bianconeri: Michel Platini

Michel Platini nasceu a 21 de Junho de 1955 em Joeuf, pequena localidade situada no Nordeste de França, no seio de uma família de ascendência italiana.

Perfil
É recordado como um dos mais fiéis e melhores representantes do perfil de número 10 clássico, devido à sua prodigiosa técnica individual e à exímia visão de jogo. Excelente executante de bolas paradas, marcava bastante golos de livre e de grande penalidade, tendo ainda uma enorme capacidade de finalização. Verdadeiro líder dentro de campo, dono de uma personalidade fortíssima que o ajudou a construir uma carreira ímpar no futebol francês e italiano.
É considerado por muitos o melhor jogador francês de sempre. Na Juventus, é quase unanimemente reconhecido como o melhor jogador estrangeiro de sempre a envergar a maglia bianconera. Para muitos, é efectivamente considerado o melhor jogador de toda a história da Juve.

Nancy e Saint-Étienne
Começou aos 11 anos nas camadas jovens do emblema local onde se manteve até aos 17 anos, contratado pelo Nancy, clube recentemente promovido ao principal escalão do futebol francês. Faz a sua estreia na principal equipa em Maio de 1973 numa partida frente ao Nimes, antes de completar 18 anos. No final da época seguinte o clube é despromovido à segunda divisão, passagem fugaz, já que na temporada seguinte (1974/75) sagrou-se campeão da D2 muito graças à excelente perfomance de Platini, afirmando-se o patrão da equipa e apontando 17 golos. Na temporada seguinte faz parte da selecção francesa que se qualifica e actua nos Jogos Olímpicos de Montreal, caindo nos quartos de final aos pés da RDA. Regressado do Canadá, assina o seu primeiro contrato profissional pelo Nancy válido por três épocas. Nesse mesmo ano de 1976 estreia-se pela selecção principal gaulesa. O primeiro título surge no final da temporada de 1977/78 com a vitória na final da Taça de França por 1-0, frente ao Nice, com golo da sua autoria. No Verão de 1979 expira o seu contrato com o Nancy, não aceita renovar o vínculo e apesar de bastante pretendido por Inter e PSG assina pelo Saint-Étienne por três temporadas. Platini é ainda hoje o melhor marcador da história do Nancy com 127 golos.
O grande objectivo dos verdes ao contratarem Platini era o de tentarem vencer a Taça dos Campeões, troféu que lhes fugira na final de 1976 perante o Bayern Munique. Tal desiderato fica muito longe de ser alcançado e o único título alcançado durante o período de Platini é o campeonato francês de 1980/81. Em termos individuais, Platini afirma-se como jogador essencial na equipa, capitão e número 10 de categoria ímpar, apontando 83 golos em 145 partidas. No Verão de 1982 assina pela Juventus, que paga 880 milhões de liras pelo seu passe.

JUVENTUS
1982/83
Gianni Agnelli e Trapattoni, seduzidos pelo seu enorme talento, vêem em Platini o substituto ideal do irlandês Liam Brady, transferido para a Sampdoria e um dos grandes responsáveis pela conquista dos scudetti de 1981 e 1982. A adaptação a um campeonato mais competitivo e a integração num grupo onde pontificavam seis jogadores titulares da selecção italiana (Zoff, Scirea, Cabrini, Gentile, Tardelli e Rossi) acabada de se sagrar campeã do mundo, demorou algum tempo e só na segunda parte da temporada a verdadeira estrela de Platini começa a brilhar intensamente. A 6 de Março, em pleno estádio Olímpico perante a Roma, líder isolada da Serie A com 5 pontos de avanço, derrota a Juve por 1-0 a poucos minutos do fim, parecia decidido o scudetto desse ano, mas Platini com um soberbo golo de pontapé livre aos 83' e uma magnífica assistência para Brio aos 89' impede os festejos antecipados dos giallorossi. Poucos dias depois, nos quartos de final da Champions, a Juve defronta o Aston Villa, campeão em título. As formações inglesas dominam a prova vencendo consecutivamente as últimas seis edições, mas a Juve termina esse ascendente vencendo 2-1 em Birmingham (Platini melhor em campo e assistência para o golo do triunfo apontado por Boniek) e 3-1 em Turim com doppietta do gaulês! Na meia final é ultrapassado o campeão polaco, Widzew Lodz, 4-2 no total da eliminatória, com mais um golo de Platini.
Em Maio, a Juve chega à final de Atenas como grande favorita ante o Hamburgo, mas os germânicos vencem surpreendentemente 1-0 uma vecchia signora longe das exibições e potencial exibido nas eliminatórias anteriores. É, sem dúvida, uma das derrotas mais difíceis de digerir na história bianconera...
A aposta na Champions descurou o campeonato tendo a Juve que se contentar com o 2º lugar atrás da Roma. Platini sagra-se o melhor marcador da prova com 16 golos. A época é salva com a vitória na final da Taça de Itália, perante o emergente Hellas Verona. Após derrota por 2-0 em Verona, a Juve vence 3-0 na 2ª mão com dois golos decisivos de Platini.

1983/84
Apesar do falhanço da conquista da Champions e da Serie A, Platini vê-lhe reconhecida em termos individuais o excelente ano vencendo a Bola de Ouro da France Football de 1983.
A Juve arranca em força para a reconquista do scudetto vencendo na 1ª jornada o Ascoli por 7-0! A liderança bianconera nunca é posta em causa e no jogo do título perante o rival Torino em Fevereiro, a Juve leva de vencida os granata por 2-1 com dois tentos de belo efeito do inevitável Platini, aumentando a vantagem para 7 pontos! Até final os bianconeri geriram o confortável avanço, conjugando na perfeição com a participação na Taça das Taças, competição que venceriam em Basileia frente ao Porto por 2-1.
Platini sagra-se novamente capocannoniere da Serie A, desta vez num duelo épico com Zico da Udinese. No final, o francês levou a melhor com 20 golos, mais um que o brasileiro.

1984/95
É a época em que todas as fichas são apostadas para a conquista da Coppa Campioni! O campeonato é deixado para segundo plano, a Juve alcança apenas o 6º posto no ano em que o surpreendente Hellas Verona se sagra campeão. Platini sagra-se pela terceira vez consecutiva o melhor marcador, desta vez com 18 golos.
No final de 1984 Platini vence novamente a Bola de Ouro.
Em Janeiro, a Juve disputa a Supertaça Europeia com o Liverpool, campeão europeu. A vitória sorri aos bianconeri graças a dois golos de Boniek, sempre com Platini em grande destaque.

Na caminhada para a final de Bruxelas, a Juve depara-se com o Bordéus na semi-final, equipa onde alinhavam muitos dos companheiros de Platini na selecção gaulesa. Em Turim, a Juve vence por 3-0 com mais um golo de Platini e uma excelente assistência para o tento de Boniek. Na 2ª mão os franceses venceram por 2-0, valendo a inspirada actuação do guardião Tacconi a evitar males maiores.
A 29 de Maio voltam a encontrar-se Juventus e Liverpool, naquela que ficaria tristemente célebre como a tragédia de Heysel. Apesar dos 39 mortos, a grande maioria adeptos da Juve, a UEFA decide avançar com a final. A Juve vence 1-0 num penalty convertido por Platini no segundo tempo. O lance é controverso já que após lançamento longo de Platini para Boniek, o polaco é travado em falta fora da área, tendo o árbitro assinalado grande penalidade. Finalmente, a Juventus alcança o trono europeu, sendo a primeira equipa a vencer as três competições da UEFA, mas os festejos são breves em virtude da enorme desgraça ocorrida nesse final de tarde...

1985/86
É a época de renovação, fecha-se o ciclo vitorioso da squadra que dominou a Europa nos últimos 3 anos, saem Rossi, Boniek, Gentile e Tardelli. Chegam jovens promissores como Manfredonia, Mauro, Serena e Laudrup. Trap mantem-se como treinador e Platini como o líder da equipa.
No final de 1985 conquista a 3ª Bola de Ouro consecutiva, feito único na história do troféu.
O início da Série A é auspicioso com uma série recorde de 8 vitórias consecutivas lançando os bianconeri decisivamente para a conquista do 22º scudetto, o 2º de Platini. A nível individual 10 golos em 19 jogos pareciam querer levá-lo a um inédito 4º título de capocannoniere consecutivo, mas um fraco final de temporada em termos de finalização levam-no a apontar apenas mais 2 golos e a quedar-se na 3ª posição na tabela de goleadores.
Na Champions, após afastado o campeão italiano Verona nos oitavos de final (2-0 com um golo de Platini), cabe seguidamente em sorte o Barcelona. Depois de uma derrota em Camp Nou por 1-0 a Juve não consegue melhor que um empate a uma bola em Turim de nada valendo o golo de Platini.
Em Dezembro, a Juve parte rumo a Tóquio com o objectivo de conquistar o único troféu que ainda não figura no palmarés, a Taça Intercontinental. O adversário é o Argentinos Juniors e para muitos esta será a melhor partida na carreira de Platini, na qual toda a sua classe e capacidade de liderança emergem decisivamente. Em desvantagem logo no início do segundo tempo, a Juve chega ao empate pouco depois num penalty convertido por Platini a castigar derrube sobre Serena na área argentina. A partida é disputada em bom ritmo com qualquer uma das equipas a poder chegar ao golo a qualquer momento. Na sequência de um canto a defesa argentina alivia, Bonini cabeceia a bola para Platini, que se encontra entre a marca de grande penalidade e o limite da área. Le Roi pára a bola de peito e sempre sem deixar cair, toca de pé direito por cima de um defesa e dele próprio e com o pé esquerdo dispara forte e colocado marcando um golo extraordinário, o melhor da sua carreira! Para estupefacção geral o árbitro invalidou o lance, assinalando fora de jogo posicional a Serena, quando este em nada teve influência na jogada! A reacção de Platini fica na história do futebol ao deitar-se no chão com a cabeça apoiada no cotovelo esquerdo (foto em cima à esquerda) fixando incrédulo o árbitro e aplaudindo-o ironicamente em seguida...
Para piorar ainda mais a situação os argentinos colocam-se pouco depois em vantagem, muitos previram que fosse a estocada final nos bianconeri, o tempo escasseava, mas com uma garra tremenda e enorme vontade de vencer, a equipa lançou-se no ataque e aos 85' esplêndida triangulação entre Laudrup e Platini, o jovem dinamarquês contorna o guardião argentino e quase sem ângulo consegue colocar a bola no fundo das redes empatando merecidamente a partida! O título mundial é apenas decidido nos penalties cabendo a Platini apontar o penalty decisivo, tendo recebido muito justamente o troféu de man of the match.

1986-87
É o ano do adeus ao futebol profissional, o processo de renovação da Juventus prossegue com a saída de Trapattoni do comando técnico depois de 10 anos e de ter vencido tudo o que havia para vencer! Do grupo histórico permanecem apenas Scirea e Cabrini, Platini diz não sentir mais estímulo para melhorar e as estatísticas provam-no ao apontar apenas 2 golos na Série A. A Juventus fica-se pelo 2º posto no campeonato atrás do Nápoles de Maradona, naquela que pode ser considerada a época da passagem de testemunho entre os dois grandes números 10 do Calcio e do futebol mundial da década de 80. Também na Champions as coisas não correm bem com a Juve a ser afastada nas grandes penalidades pelo Real Madrid nos oitavos de final.
Era o fim do ciclo vencedor que teve Platini como expoente máximo. Assim a 17 de Maio de 1987 num jogo contra o Brescia, Le Roi, antes de completar 32 anos, despedia-se dos relvados colocando ponto final numa carreira brilhante.
Pela Juventus apontou 104 golos em 224 jogos tendo vencido dois scudetti, uma Taça de Itália, uma Taça dos Campeões, uma Taça das Taças, uma Supertaça Intercontinental e uma Supertaça Europeia. Individualmente conquistou três Bolas de Ouro e sagrou-se também por três vezes melhor marcador da Série A.


Selecção de França
Como jogador participou em três fases finais de Campeonatos do Mundo. A estreia no Argentina'78 esteve longe de ser perfeita com a França a ser eliminada logo na primeira fase pela selecção anfitriã e pela Itália. Quatro anos depois em Espanha, Platini surgiu mais experiente e bem secundado por uma excelente geração de valores do futebol gaulês. A meia final com a RFA foi épica, 3-3 após prolongamento! Nas grandes penalidades os alemães venceram deixando Platini com o prémio de consolação de melhor em campo. A França quedar-se-ia no 4º lugar após derrota com a Polónia no jogo de atribuição do 3º e 4º posto.
No Europeu de 1984 Platini sagra-se campeão europeu disputando uma prova simplesmente estratosférica como provam os 9 golos obtidos em 5 jogos! Foi inquestionavalmente a grande figura da competição, absolutamente decisivo para a conquista do título.
Dois anos depois a França chega ao México'86 com legítimas ambições de conquistar o ceptro mundial, a equipa era basicamente a mesma que se sagrara campeã europeia e tinha nas suas fileiras Platini, um dos melhores jogadores mundiais. Itália e Brasil foram eliminados pelos gauleses antes de nova meia final com a RFA. Tal como quatro anos antes os alemães foram a besta negra de Platini vencendo desta vez por claros 2-0. A França conquistaria o 3º lugar depois de vencer a Bélgica por 4-2 após prolongamento.
Disputou 72 jogos pelos bleus apontando 41 golos, sendo ainda hoje o segundo melhor marcador de sempre, só batido recentemente por Henry.
Em Novembro de 1988 assume o comando técnico da selecção de França. Em virtude da renovação que a equipa nacional estava a levar a cabo não se consegue qualificar para a fase final do Itália'90. Apesar do insucesso permanece no cargo e já com novos valores como Cantona, Papin ou Deschamps arranca uma fase de qualificação invicta rumo ao Euro'92 chegando à Suécia como um dos grandes favoritos ao triunfo final. Após empates com Suécia e Inglaterra uma surpreendente derrota com a Dinamarca afasta a França da meia final e Platini deixa o cargo.

Dirigente
Foi o presidente do Comité Organizador do Mundial'98 disputado em França. Em 2002 é eleito vice-presidente da Federação Francesa de Futebol e em Janeiro de 2007 vence as eleições para presidente da UEFA batendo Lennart Johansson (há 18 anos no cargo), graças a um discurso onde sobressaiam os valores da solidariedade e de uma maior democratização no futebol, o que levou muitos países do antigo bloco soviético a votarem nele. Reformulou os quadros competitivos das competições europeias diminuindo a diferença de representatividade entre os países mais ricos e pobres. Hoje em dia bate-se por uma UEFA mais limpa, com significativamente menos corrupção.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Craques Bianconeri: Gianluca Pessotto

Gianluca Pessotto destacou-se ao representar a Juventus durante 11 épocas consecutivas, de 1995 a 2006, jogador versátil, desempenhava com rigor e qualidade várias posições, embora fosse na posição de lateral esquerdo que mais rendia apesar de ser destro.
Pessotto nasceu em Agosto de 1970 em Latisana, pequeno concelho da província de Udine. Começou a sua carreira nas camadas jovens do Milan passando em 1989 para o Varese da Série C2 onde jogaria durante duas temporadas. Em 1991 sobe de escalão para a Série C1 representando o Massese onde as boas exibições o levam ao Bolonha na época seguinte, na altura na Série B. Em 1993 assina pelo Hellas Verona onde se destaca pela segurança e rigor defensivo assinaláveis dando o salto para a Série A em 1994 contratado pelo Torino. Estreia-se no campeonato máximo do Calcio em Setembro desse ano numa derrota caseira do Toro perante o Inter. Realiza uma época plena de regularidade despertando a cobiça da Juve, curiosamente realiza duas óptimas exibições contra a vecchia signora assegurando assim o aval de Lippi para a sua contratação.
Pessotto rapidamente se impõe como titular na lateral esquerda, estatuto que manteria quase inalterável até 2002. Jogador de grande capacidade táctica e de marcação, subia efectivamente pelo seu corredor efectuando cruzamentos de qualidade. Oferecia várias alternativas ao treinador já que podia actuar na lateral direita e como ala em qualquer uma das faixas num esquema de três centrais.
Logo na época de estreia como bianconeri vence a Champions na final de Roma contra o Ajax tendo sido um dos marcadores no desempate por pontapés da marca de grande penalidade. No mesmo ano de 1996 estreia-se na nazionale azzurra, pela qual disputaria o Mundial de 1998 e o Europeu de 2000. Falharia o Mundial de 2002 devido a uma lesão sofrida pouco antes da competição. No total disputou 22 encontros com a selecção italiana tendo-se destacado durante o Euro 2000 ao marcar um dos penalties no desempate na meia final contra a Holanda e ao assistir Delvecchio com um primoroso cruzamento para o golo azzurro na final contra a França.
A lesão sofrida no final da época 2001/2002 custou-lhe o inicio da época seguinte. A Juve tinha contratado o talentoso Camoranesi nesse defeso e Lippi conjugou ambos os factores passando Zambrotta de médio ala direito para lateral esquerdo, lugar vago devido à lesão de Pessotto. Quando regressou e apesar de ter perdido a titularidade manteve-se sempre um jogador muito útil e dos mais utilizados, quase se podendo falar como um 12º jogador. Il professore como era conhecido pelo seu estilo intelectual, homem de equilíbrio, concentrado, afável, educado, humilde, respeitado por colegas, adversários e tiffosi foi sempre um dos elementos aglutinadores no balneário da Juve.
Em 2005 com a chegada de Chiellini começou a jogar menos e não estranhou que terminasse a carreira no final da temporada com 35 anos. 366 jogos, 3 golos e 10 títulos são os significativos números alcançados com a Juventus. Nesses 10 títulos destacam-se 4 scudetti, 1 Champions, 1 Supertaça Europeia e 1 Supertaça Intercontinental.
Com tanto peso e carisma dentro do universo bianconero não causou surpresa o convite para assumir o lugar de team manager da Juve, convite aceite a 27 de Maio de 2006 assumindo o posto de Alessio Secco, entretanto nomeado director desportivo.
Por essa altura a autêntica bomba chamada Calciocaos assolava o Calcio em geral e a Juventus em particular, tendo o pior e inacreditável acontecido a 27 de Junho quando Pessotto se tentou suicidar atirando-se de uma janela do 2º andar na sede da Juventus tendo ficado em coma durante vários dias deixando o Calcio em estado de choque e completamente consternados todos os seus intervenientes. A selecção italiana estava a poucos dias de disputar o encontro dos 1/4 de final do Mundial 2006 contra a Ucrânia e os gestos de solidariedade e apoio não faltaram sendo de destacar a pronta visita de Del Piero, Zambrotta e Ferrara ao hospital onde estava internado. O seu estado melhorou nos dias seguintes e a vitória italiana no campeonato do mundo seria-lhe dedicada por Marcello Lippi.
Actualmente Pessotto está completamente recuperado do sucedido e assumiu há alguns meses o lugar de director técnico da Juventus. Como jogador é um dos principais rostos da Juve de Lippi que maravilhou o futebol italiano e europeu na segunda metade da década de 90.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Craques Bianconeri: Gaetano Scirea

Gaetano Scirea foi um dos melhores líberos de sempre do futebol mundial e é o jogador mais recordado e respeitado pelos tiffosi bianconeri. Poucos dias após Del Piero ter atingido a sua marca de 552 jogos com a maglia juventina nada mais justo do que recordar o mítico Scirea.
Nasceu em Cernusco sul Naviglio, na região da Lombardia, província de Milão a 25 de Maio de 1953. Despontou nas camadas jovens da Atalanta e foi no clube de Bérgamo que se estreou na Série A com 19 anos, mais propriamente em Setembro de 1972 frente ao Cagliari. Na altura, Gaetano actuava como lateral, mas pouco depois passou a actuar na posição de líbero, ideia do seu treinador de então Giulio Corsini, que viu nele grandes potencialidades para o lugar, o tempo daria-lhe toda a razão.

Juventus
Scirea realizou duas boas temporadas ao serviço do clube bergamasco e no Verão de 1974 a Juventus, que procurava um substituto para Sandro Salvadore, viu nele o reforço ideal e contratou-o à Atalanta. Gaetano não defraudou as expectativas nele depositadas e impôs-se logo como titular absoluto na 1ª época como juventino, alinhando em 28 das 30 partidas e conquistando o seu 1º scudetto. No ano seguinte a Juve não consegue alcançar o título e Carlo Parola é substituído no Verão de 1976 no cargo de treinador por Giovanni Trapattoni, dando-se assim início a um ciclo de 10 anos com a velha raposa ao leme da signora.
Logo na 1º época da era Trap, a Juve volta a conquistar o scudetto e vence pela 1ª vez uma competição europeia, a Taça UEFA, numa final disputadíssima com os bascos do Athletic Bilbao. Scirea impunha-se cada vez mais como líder da defensiva bianconera e foi peça fulcral nesses 2 triunfos.
Em 1982 dá mais uma vez o seu inexcedível contributo para a Juve vencer o scudetto número 20 obtendo assim a segunda estrela no equipamento. Com o triunfo na Taça de Itália em 1983 a Juve participa na Taça das Taças no ano seguinte vencendo na final em Basileia o FC Porto por 2-1. Nesse mesmo ano de 1984 venceria mais um scudetto, o último troféu levantado por Furino que se retiraria passando a braçadeira de capitão para Scirea.
Na época seguinte o grande objectivo era conquistar o único troféu europeu que faltava à Juve, a Taça dos Campeões, feito que seria alcançado em Maio de 1985 na trágica final do Heysel em Bruxelas, com um golo solitário de Platini perante o Liverpool. Nessa mesma temporada a Juve já havia vencido a Supertaça Europeia tornando-se assim a primeira equipa europeia a vencer todos os troféus da UEFA, feito inédito que teve Scirea como um dos grandes protagonistas.
No final do ano de 1985 em Tóquio a Juventus disputou a Taça Intercontinental contra os Argentinos Juniors. Depois de um jogo polémico que terminou empatado a 2, onde ficou célebre a imagem de Platini deitado no chão em forma de protesto contra um grave erro de arbitragem, tudo ficou decidido nas grandes penalidades com o guarda redes Tacconi a ser decisivo na vitória da Juve. Com mais este triunfo a Juventus tornava-se a única equipa mundial a vencer todos os troféus em disputa que havia participado, feito único até aos dias de hoje. Em Maio de 1986 a Juve conquistava mais um campeonato italiano e Trap saia para o Inter depois de 10 anos de sucesso.
Scirea, então com 33 anos prolongaria a sua carreira por mais 2 épocas retirando-se no Verão de 1988. Conquistou 7 scudetti, 2 Taças de Itália, uma Taça dos Campeõs Europeus, uma Taça das Taças, uma Supertaça Europeia e uma Supertaça Intercontinental, palmarés brilhante complementado com 32 golos em 552 presenças, recorde que durou até à semana passada quando Del Piero o igualou.

Perfil
Como jogador Scirea distinguia-se pela sua extraordinária visão de jogo que lhe permitia adivinhar muitos dos lances. Conjugava muito bem as componentes técnica e táctica, saindo muitas vezes a jogar da sua defesa, passando rapidamente de líbero para médio organizador. Era um jogador correctíssimo, respeitado por adversários, apesar de jogar como defesa nunca foi expulso durante a sua longa carreira.

Nazionale
Na selecção italiana estreou-se em Dezembro de 1974 numa derrota contra a Grécia por 3-2. Foi internacional 78 vezes, participando nos Mundiais de 1978 (Argentina), 1982 (Espanha) e 1986 (México) e no Europeu de 1980 (Itália). Como destaque o título mundial de 1982, depois de uma 1ª fase periclitante da azzurra com 3 empates em outros tantos jogos a 2ª fase parecia ser quase impossível de suplantar com Argentina e Brasil no grupo. Os azzurri renasceram das cinzas e depois de baterem a Argentina de Maradona por 2-0 venceram o super favorito Brasil de Júnior, Zico, Falcão e Sócrates por 3-2 naquele que terá sido um dos jogos mais espectaculares de sempre com o hat trick de Rossi a ficar gravado a letras de ouro na história de campeonatos do mundo. Nas meias finais venceram a Polónia de Lato e Boniek vencendo na final a Alemanha Ocidental por 3-1. Scirea, tal como na Juventus foi o baluarte defensivo dessa conquista, destacando-se com o seu jogo elegante e determinado sempre repleto de fair play.
Após o fracasso no mundial do México 86, Scirea retirou-se da selecção em 1986 com 78 presenças e 2 golos com a maglia azzurra.

Tragédia
No Verão de 1988, a Juventus decide substituir Rino Marchesi, não conseguiu alcançar qualquer título nos 2 anos pós Trap, por Dino Zoff, mítico guarda redes da Juventus e capitão da selecção campeã do mundo em 1982. Scirea tinha acabado de terminar a carreira de jogador e foi convidado para ser o adjunto de Zoff, afinal era uma referência da Juve e tinha uma boa relação com o antigo colega de equipa.
No fatídico domingo de 3 de Setembro de 1989, Gaetano Scirea encontrava-se na Polónia a observar a partida do futuro adversário da Juve na Taça UEFA, o Górnik Zabrze, Scirea partiu de Cracóvia rumo a Zabrze num automóvel com um condutor local, mas não chegariam ao destino já que sofreram um acidente de viação que levaria o veículo a incendiar-se, falecendo ambos carbonizados. Scirea desaparecia com apenas 36 anos deixando a Juventus e o Calcio de luto pela brutal partida de um dos seus melhores e mais genuínos intérpretes.

Memória
Corre actualmente a petição por entre os adeptos da Juventus com o intuito de se retirar a camisola número 6, aquela que foi de Scirea durante 14 épocas. O treinador de Itália campeão do mundo em 1982, Enzo Bearzot declarou em 2005: "Se existe alguém pelo qual se deva retirar a camisola é Scirea, grandíssimo jogador e grandíssimo homem".
O topo Sul do actual estádio da Juventus, o Olímpico, foi baptizado de Curva Scirea pelos tiffosi. Gaetano Scirea poderá ser o nome do novo estádio da Juve, o actual Delle Alpi, que dentro em breve entrará em obras de remodelação.
Após a sua morte têm sido muitos os torneios e homenagens com o seu nome tendo sempre em especial consideração o fair play, ele que foi um genuíno exemplo dessa vertente no futebol.
Scirea será eternamente recordado na história da Juventus e é considerado o melhor líbero de sempre do futebol mundial juntamente com Franz Beckenbauer e Franco Baresi.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Craques Bianconeri: Paulo Sousa

Paulo Sousa nasceu em Viseu a 30 de Agosto de 1970. Começou a jogar futebol numa pequena equipa da sua cidade natal 'Os Repesenses' e cedo deu nas vistas levando o Benfica a contratá-lo no inicio da década de 80 e foi na Luz que efectuou toda a sua formação. Em 1989 sagrou-se campeão do mundo de sub 20 em Riade pela mão de Carlos Queiroz, embora sem ser titular e actuando na altura como médio ala direito. Eriksson viu nele atributos de centrocampista e na época seguinte lançou-o na equipa principal do Benfica. Pouco tempo depois agarrava a titularidade e não mais a largou. Jogador cerebral, excelente posicionamento, jogava com régua, esquadro e compasso, impondo e distribuindo o ritmo de jogo da equipa. Em 1991 estreou-se na selecção principal portuguesa e da sua passagem pelo Benfica conquistou um campeonato (1991) e uma taça (1993). No Verão quente de 1993 o Benfica viu-se assolado por uma crise financeira e Paulo Sousa com ordenados em atraso rescinde alegando justa causa e assina pelos rivais do Sporting. Em Alvalade realiza uma época fantástica sendo alvo do interesse de alguns dos mais poderosos clubes europeus entre os quais a Roma que oferece 5 milhões de euros pelo seu passe. A Juve, que já em 1992 tinha proposto 3,75 milhões de euros ao Benfica que recusou, subiu a parada para mais de 4 milhões de euros e Paulo Sousa, mesmo perdendo dinheiro, prefere a Juve em detrimento da Roma e chega a Turim no Verão de 1994 como um dos grandes reforços para atacar o scudetto, título que fugia à Juve desde 1986. Sousa chegou, viu e venceu impondo-se de estaca como titular indiscutível relegando para o banco outro reforço de peso, um tal de Didier Deschamps... O novo treinador, Marcello Lippi, colocou em prática um esquema ofensivo, com 3 avançados de classe: Baggio (ou Del Piero), Vialli e Ravanelli que eram extremamente bem servidos pelos médios Conte (ou Marocchi), Di Livio e em especial Paulo Sousa que deixou positivamente o Calcio a seus pés com a sua extraordinária capacidade de passe nomeadamente os passes longos teleguiados. Foi uma época estrondosa para a Juve que venceria o scudetto 9 anos depois e também a Taça de Itália falhando por uma nesga a vitória na Taça UEFA, perdida numa renhida final com o Parma. Paulo Sousa foi eleito o melhor jogador estrangeiro na Série A nessa temporada tendo sido uma das principais figuras do sucesso juventino. No ano seguinte Paulo Sousa começou a ver a sua regularidade colocada em causa com o aparecimento de diversas lesões que o apoquentaram durante grande parte da época. Mesmo assim continuou, sempre que em condições físicas aceitáveis, a ser uma das peças chaves do esquema de Lippi tendo estando em grande destaque na Champions, em especial na meia final no jogo da 2ª mão em Nantes onde apontou um golo. Na final de Roma frente ao Ajax foi titular, não esteve exuberante, mas sim efectivo. A Juve acabou por vencer nos penalties e Paulo Sousa ganhava assim o seu 4º título com a maglia bianconera (já tinha vencido a Supertaça italiana nessa mesma época frente ao Parma) e despedia-se em grande da Juventus, que preocupada com os seus constantes problemas físicos e lesões especialmente num joelho e com Deschamps já adaptado ao Calcio, vendia o seu passe ao Borússia Dortmund. Como bianconero Paulo Sousa conquistou os 4 títulos atrás referidos tendo alinhado em 79 partidas e apontado 2 golos.
No ano seguinte ao serviço dos alemães conquistaria a sua 2ª Champions em final contra a Juventus, feito que lhe soube a vingança como o próprio depois admitiu porque não tinha sido por vontade sua que tinha deixado Turim. As lesões e baixas por problemas físicos eram cada vez mais frequentes e apesar de manter a sua classe perfeitamente intacta era bem menos efectiva a sua presença contínua no 11 do Dortmund tendo saído para o Inter em 1998 depois de conquistar a Bundesliga. Esteve 1 ano e meio em Milão onde nunca se conseguiu impor e em Janeiro de 2000 é cedido por empréstimo ao Parma onde não tem melhor sorte. Liberto do contrato com o Inter é aposta dos gregos do Panathinaikos onde ainda consegue fazer boas exibições especialmente na Champions. Apesar disso, as lesões no joelho não lhe dão descanso e é cada vez mais uma sombra em termos físicos do jogador exuberante que foi, nomeadamente no Sporting e no 1º ano na Juve. Sai de Atenas no Verão de 2001 ficando 6 meses sem clube por opção própria onde tentou por todos os meios recuperar a condição física. No inicio de 2002 assina pelo Espanhol onde permanece até ao final da época sem grande destaque. Após o Mundial 2002 anuncia o final da carreira profissional de futebolista motivada em grande parte pelos problemas físicos, ainda não tinha completado 32 anos...
Foi um dos expoentes máximos da geração de ouro do futebol português juntamente com Figo, Rui Costa e João Pinto, tendo alinhado pela selecção nacional em 51 partidas. Foi peça nuclear no Euro 96 e alinhou ainda em alguns jogos do Euro 2000. Esteve presente no Mundial 2002 embora sem ser utilizado.
Paulo Sousa saiu recentemente do comando da selecção nacional portuguesa de sub 16 e escreve uma coluna semanal de opinião no jornal A Bola. Nos últimos tempos têm surgido rumores do seu regresso a Itália para seguir a carreira de treinador...
O nº 6 bianconero das épocas de 1994 a 1996 fica na história recente da società como um dos seus melhores centrocampistas e muito provavelmente o executante que praticava um futebol mais rendilhado e preciso não sendo por acaso conhecido como o Geòmetra pela imprensa transalpina.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Craques Bianconeri: Felice Borel II

Felice Borel II foi o primeiro grande goleador da história da Juventus. Nasceu a 5 de Abril de 1914 em Nizza Monferrato, pequena localidade da região de Piemonte, próxima de Turim. Foi nas camadas jovens do Torino, os famosos Balon Boys que Felice Borel se começou a afirmar como esperança do Calcio. Na altura a Juve não tinha equipas juvenis e em 1932 chamou Borel para substituir Vecchina no jogo de inauguração do estádio do Spezia contra a equipa local. A vecchia signora venceu 4-1 tendo Farfallino jogado a médio direito e despertado a atenção do treinador Carlo Carcano que vendo nele excelente potencialidades como atacante começou a treiná-lo para o lugar de ponta de lança.
A estreia de Borel em jogos oficiais pela Juve ocorreu na época de 1932/33 com apenas 18 anos e foi no mínimo impressionante! Possuia um estilo de jogo extremamente elegante, de drible fácil e de remate portentoso! Em 32 jogos apontou 30 golos, uma média simplesmente fantástica! Na Série A marcou 28 golos em 29 jogos, foi o óbvio capocannoniere estabelecendo uma média recorde de golos que ainda hoje perdura! Na temporada seguinte voltou a bater recordes de concretização ao marcar 31 golos na Série A (novamente o melhor marcador) e 5 golos na Taça de Itália! Tudo isto em 40 jogos, mais uma média brilhante! Foram as suas duas melhores épocas, no ano seguinte apontaria apenas 19 golos, suficiente contudo para vencer o seu 3º scudetto consecutivo e o 5º seguido da Juve, o Quinquennio d'oro! Foram 5 anos de ouro para a vecchia signora, uma equipa magnífica onde além de Borel II pontificavam Combi, Caligaris, Rosetta, Bertolini, Monti, Varglien, Orsi e Ferraris, todos eles campeões do mundo em 1934. Borel II que se tinha estreado pela nazionale em Outubro de 1933 frente à Hungria tendo apontado o golo do triunfo. Na fase final do Mundial apenas disputou a partida de desempate dos 1/4 de final contra a Espanha, o que é compreensível já que a maglia 9 tinha dono absoluto, o mítico Angelo Schiavio e na altura não eram permitidas substituições. Borel sagrou-se assim campeão do mundo com apenas 20 anos e não voltaria a jogar pela selecção italiana contabilizando assim 1 golo em 3 internacionalizações.
Depois deste inicio de carreira fulgurante a estrela de Borel foi-se apagando, muito castigado com problemas físicos, com o passar sucessivo das épocas marcava cada vez menos golos. A excepção ocorreu na época de 1936/37 onde apontou 17 golos. Na temporada seguinte venceria o seu último título com a Juventus, a Taça de Itália. Como curiosidade refira-se que jogou durante 3 épocas (1935 a 1938) na Juve com o seu irmão mais velho, também avançado, Giuseppe Borel I.
Em 1941, na tentativa de relançar a carreira, Borel II transfere-se para o rival Torino embora sem grande sucesso tendo regressado à Juve logo no ano seguinte onde ficou até 1946 acumulando o lugar de jogador com o de treinador. Nunca mais voltou a marcar tantos golos nem às grandes exibições dos 3 primeiros anos de carreira, mas foi durante mais de uma década um jogador muito efectivo na história da Juventus. Totalizou 307 presenças e apontou 157 golos com a maglia bianconera. Ainda hoje é o 5º melhor marcador de sempre da vecchia signora.

Depois da saída da Juve em 1946 passou pelo Alessandria e pelo Nápoles (em ambos os casos como jogador-treinador), terminando a carreira de jogador em 1949 com 35 anos.
Enveredou depois pela carreira de jornalista e foi um dos responsáveis pela revista oficial da Juve nos anos 60, a
Hurrà Juventus.
Faleceu a 21 Janeiro de 1993 com 78 anos. Fica na história
bianconera como um dos seus mais prolíficos goleadores, 2 vezes capocannoniere, um dos mais jovens artilheiros de sempre na história do futebol mundial.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Craques Bianconeri: Andrea Fortunato

Andrea Fortunato foi um dos mais promissores jogadores italianos no inicio da década de 90 tendo chegado à Juventus no Verão de 1993. Andrea nasceu em Salerno, região de Campania a 26 de Julho de 1971. Estreou-se como profissional em Outubro de 1989 pelo Como num jogo em Peruggia referente à Série B com apenas 18 anos. Fez uma boa época em termos individuais tendo alinhado em 16 partidas, em termos colectivos as coisas correram mal ao Como que foi despromovido para a Série C1. Manteve-se mais uma temporada no Como onde se começa a destacar pela sua enorme qualidade no lugar de lateral esquerdo, alinhou em 27 partidas, tendo despertado o interesse na sua contratação de várias equipas da Série A. O Génova ganharia a corrida e no Verão de 1991, Andrea assina pelo histórico clube transalpino. Tinha apenas 20 anos e os responsáveis do clube rossoblù entenderam cedê-lo por empréstimo a uma equipa da Série B de modo a poder continuar a sua evolução. Sendo assim foi cedido ao Pisa onde voltaria a fazer mais uma época de bom nível alinhando em 25 jogos. A temporada de 1992/93 foi a da sua completa afirmação no Calcio, regressou a Génova e fez uma época fantástica tendo alinhado em 33 partidas e apontado 3 golos, um dos quais na última jornada absolutamente decisivo para a permanência da equipa na Série A. Foi juntamente com Panucci a grande figura da equipa rossoblù e no final da temporada ambos saíram, Panucci para o Milan e Fortunato para a Juventus. Estava consumada uma ascensão meteórica, em apenas 2 anos Andrea passara do modesto Como para a poderosa Juventus. Trapattoni foi o seu treinador na época 1993/94 e apostou nele como titular durante praticamente toda a temporada tendo alinhado em 27 partidas da Série A onde apontou 1 golo, mais 1 jogo da Taça de Itália e 7 partidas na Taça UEFA. Com o decorrer da temporada por entre os tiffosi bianconeri instalou-se a convicção que estava encontrado o sucessor de Cabrini, defesa esquerdo que passou pela Juve nos anos 80 com enorme sucesso. E assim parecia ser, Andrea tinha-se imposto como titular na Juve, destacava-se pela sua velocidade e boa qualidade técnica tendo-se estreado na nazionale pela mão de Sacchi em Setembro de 1993 num jogo contra a Estónia em Tallin. Mas, infelizmente a vida tem imponderáveis e em Maio de 1994 é-lhe diagnosticada uma leucemia linfóide aguda. É internado no hospital de Peruggia, a terapia intensiva de quimioterapia não resulta e aos médicos resta tentar a hipótese de doação de medula óssea. A irmã Paola faz a doação da sua medula óssea, mas o resultado é negativo, seria depois com a segunda doação de medula óssea, desta vez efectuada pelo seu pai Giuseppe, que Andrea melhora. Sai do hospital e regressa lentamente aos treinos, em Fevereiro de 1995 é convocado para o jogo da Juve em Génova frente à Samp, mas não chega a entrar em campo. Quando todos começavam a pensar que a batalha de Andrea contra a doença estava ganha o seu sistema imunitário começa a ceder devido à enorme intensidade de tratamentos a que esteve sujeito. Regressa ao hospital de Peruggia onde viria a falecer devido a insuficiência respiratória provocada por uma grave infecção pulmonar no dia 25 de Abril de 1995, ainda não tinha completado 24 anos...
Passados poucos dias da sua morte a Juventus vence o seu scudetto número 23, sendo esta curiosamente a sua idade, o título é-lhe inteiramente dedicado por companheiros, direcção e adeptos. Apesar de não ter jogado nenhuma partida pela Juventus nessa temporada de 1994/95 é declarado campeão a título póstumo.
Poucos dias antes do trágico final, Andrea Fortunato daria a sua última entrevista onde disse a frase que ficaria célebre: "Non immaginavo quanto puo'essere meravigliosa una semplice passegiata."

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Craques Bianconeri: Giampiero Boniperti

Boniperti é um dos nomes míticos da história da Juventus estando ligado directamente a 14 scudetti bianconeri e a outros importantes títulos!
Mas, vamos por partes, Boniperti nasceu em Barengo (Novara) a 4 de Julho de 1928. Talento precoce, estreou-se com apenas 16 anos na Série C ao serviço do Momo, deu nas vistas e apenas 2 anos depois, em 1947 transferia-se para a Juventus onde jogaria toda a sua carreira de profissional! Estreou-se pela
vecchia signora a 2 de Março de 1947 contra o Milan numa derrota por 2-1. Nessa mesma temporada de estreia alinharia em mais 5 encontros apontando 5 golos! Seria um bom presságio já que na época seguinte (1947-48) marcaria 27 golos, o seu recorde stagionale que lhe valeu o troféu de melhor marcador da Série A nessa época, tudo isto com apenas 19 anos! Rapidamente se transformou num ídolo para os tiffosi juventinos, tendo ganho o apelido de il marisa devido à cor do seu cabelo. Impressionava a sua extrema elegância em campo e a forma simples como marcava inúmeros golos! Não estranhou portanto que tivesse sido o sucessor de Carlo Parola como capitão de equipa em 1954, posto que só deixou em 1961 quando terminou a carreira. O 1º scudetto conquistado surgiria na época 1949-50 a que se seguiriam mais quatro triunfos nas épocas de 1951-52, 1957-58, 1959-60 e 1960-61. De destacar que os últimos 3 campeonatos seriam conquistados muito graças à acção atacante de Boniperti, Sivori e Charles que ficariam para a história do Calcio conhecidos como Il Trio Magico (foto de baixo à esquerda) tal a qualidade ímpar que estes 3 craques impunham ao futebol da Juve, especialmente na obtenção de golos em catadupa! Além dos 3 scudetti referidos Il Trio Magico conquistou por duas vezes a Coppa Italia em 1958-59 e 1959-60.
Quanto à nazionale, Boniperti estreou-se como azzurro a 9 de Novembro de 1947, com apenas 19 anos, num jogo contra a Áustria, tendo a Itália sido copiosamente derrotada por 5-1. Curiosamente seria contra a Áustria na sua 2ª internacionalização que apontaria o seu 1º golo pelos azzurri, isto já em 1949, e desta vez com vitória por 3-1. Participou nos Campeonatos do Mundo de 1950 e 1954 com pouco destaque, já que a Itália teve prestações bem modestas. Foi o capitão da nazionale de 1952 a 1960, altura em que se retirou com 38 presenças e 8 golos. Pela Juventus jogou mais uma época tendo terminado a carreira em 1961 com 33 anos totalizando 460 jogos e 179 golos resultantes de 15 épocas consecutivas ao serviço dos bianconeri. Ainda hoje é o 6º jogador com mais presenças pelo clube e o 2º melhor marcador de sempre tendo sido apenas suplantado por Del Piero há cerca de 2 anos.
Os manos Agnelli, gratos pelo seu excelente trabalho ao serviço do clube e vendo nele perfil de líder ofereceram-lhe lugar na direcção da Juve tendo chegado a presidente em 1971, lugar que ocupou até 1990. Durante as 18 temporadas que dirigiu o clube a Juve venceu 9 scudetti, 2 Coppe Italia, 1 Taça dos Campeões (1985), 1 Taça das Taças (1984), 1 Taça UEFA (1977), 1 Supertaça Intercontinental (1986) e 1 Supertaça Europeia (1985)! Currículo impressionante! Sai do cargo em Fevereiro de 1990 devido à natural saturação do cargo, à falta de títulos depois da era Trapattoni e à renovação que os Agnelli tinham decidido levar a cabo na direcção da societá. Boniperti fica como presidente honorário, cargo que mantém até aos dias de hoje e lhe permitiu ainda ser em 1993 um dos grandes responsáveis pela contratação de um miúdo de 18 anos ao Pádova, um tal de Del Piero... No ano passado a 1 de Novembro na festa da comemoração dos 109 anos da Juve, Boniperti fez a passagem de testemunho a Del Piero como capocannoniere máximo do clube (foto em cima à direita).
Boniperti teve ainda uma passagem pela política tendo sido deputado ao Parlamento Europeu entre 1994 e 1999 estando integrado nas listas do Partido Popular Europeu.
Actualmente é presidente honorário da Juventus e é um dos maiores ícones de sempre do clube!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Craques Bianconeri: Alessio Tacchinardi

Alessio Tacchinardi foi uma das grandes referências da chamada era Lippi na Juventus.
Nascido a 23 de Julho de 1975 em Crema na região da Lombardia, Alessio cedo deu nas vistas ao serviço da Atalanta e no Verão de 1994 com apenas 19 anos a Juventus avançava para a sua contratação, Tacchinardi era visto como um promissor centrocampista e a aquisição do seu passe encaixava-se perfeitamente na renovação que a Juve estava a efectuar encabeçada com a vinda do novo treinador Marcello Lippi.
A primeira época não poderia ter corrido melhor a Alessio, a Juve depois de jejum de 9 anos vencia o scudetto nº 23, conquistava a Taça de Itália e a temporada só não foi perfeita porque a final da Taça UEFA foi perdida para o Parma. Em termos individuais jogou em 38 partidas na soma das três competições, número muito significativo se pensarmos na forte concorrência que tinha, Paulo Sousa, Deschamps, Conte e Marocchi, jogando ainda a sua 1ª partida pela nazionale azzurra nessa mesma temporada.
Nas três épocas seguintes os títulos continuaram a ser conquistados em grande força pela vecchia signora e Tacchinardi apesar de ser apenas opção e alternativa aos titulares nunca deixou de ser peça importante nas seguintes conquistas: Champions (1996), Supertaça Intercontinental (1997), Supertaça Europeia (1997), Campeonatos de Itália (1997 e 1998) e Supertaças de Itália (1995 e 1997).
Com o fim da 1ª era Lippi em 1999, partia pouco depois também Deschamps para o Chelsea e Tacchinardi chegava finalmente a titular indiscutível da Juventus fazendo durante alguns anos uma dupla poderosa no meio campo bianconero com o holandês Davids. Ancelotti não teve sucesso no comando da Juve e voltava Lippi em 2001 regressando a signora aos títulos nessa mesma temporada com a conquista de mais um scudetto, feito que se repetiria na temporada seguinte sempre com a tal dupla Tacchinardi-Davids como um dos grandes destaques da squadra pelo seu futebol combativo e aguerrido, muito fortes fisicamente e evoluídos no plano técnico-táctico.
Em 2003 Tacchinardi disputaria a sua 3ª final da Champions desta vez com o Milan,a 1ª em 1997 frente ao Dortmund e a 2ª em 1998 com o Real Madrid mas, mais uma vez a sorte nada quis com os bianconeri que perdiam mais uma final de forma amarga. Em 2004 chegava Capello e o espaço de Tacchinardi foi-se cada vez mais reduzindo no seio da equipa, já que Capello apenas o encarava como alternativa e na época seguinta com a vinda de Vieira o seu destino ficaria traçado com o empréstimo ao Villarreal depois de 11 épocas ao serviço da Juventus...
Em Espanha jogaria duas temporadas cedido por empréstimo sempre a nível bastante aceitável tendo regressado a Turim no último defeso.
Ranieri não contava com ele para esta temporada e acertou-se a rescisão amigável de contrato tendo Tacchinardi assinado pouco depois pelo Bréscia da Série B onde tem sido uma das grandes figuras da equipa e da própria competição tentando ajudar a equipa liderada por Cosmi a voltar à Série A.
Em jeito de balanço pode-se dizer que Tacchinardi ficará na história bianconera como uma das principais figuras dos anos de ouro de Lippi, sendo ainda um dos jogadores que mais vezes envergou a camisola juventina, 404 vezes (14º de sempre) apontando 14 golos. Na selecção italiana jogou por 13 ocasiões, nunca tendo tindo a chance de disputar qualquer fase final. Na selecção sub 21 sagrou-se campeão europeu em 1996.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Craques Bianconeri: Omar Sivori

Omar Sivori nasceu a 2 de Outubro de 1935 em San Nicolas na Argentina. Começou para o futebol nas camadas jovens do River Plate onde se estreou na equipa principal aos 19 anos. Rapidamente se impôs como titular e foi determinante para a conquista de 3 títulos argentinos consecutivos, 1955, 1956 e 1957. Nesse mesmo ano de 1957 foi o principal responsável pela conquista da Copa América pela selecção argentina, que se disputou no Perú, formando um trio de ataque demolidor com Humberto Maschio e Antonio Angelillo, que ficou conhecido na história do futebol como o Trio da Cara Suja... 
Ficou célebre a final dessa Copa América na qual a Argentina despachou o Brasil por 3-0 com uma grande exibição de Sivori. Nesse mesmo ano El Cabezon é transferido para a Juventus pela quantia de 80 mil euros(!), verba que permitiu ao River terminar a construção do seu estádio, o Monumental. Recém chegado a Turim, os tifosi bianconeri colocaram muitas dúvidas sobre como seria possível um ragazzo de estatura baixa, tronco desmesurado para o resto do corpo e perna curta ser jogador de futebol... Mal tocou na bola as dúvidas dissiparam-se... fantasista, veloz, drible curto em progressão sobre o flanco esquerdo, especialista em fazer túneis que deixavam meio zonzos os seus adversários depressa se tornou um grande ídolo no Comunale.
Formou trio de ataque fantástico com o já veterano Boniperti e o gigante galês Charles. Sagrou-se tri-campeão italiano pela Juve em 1958, 1960 e 1961 e conquistou três taças de Itália em 1959, 1960 e 1965. Em termos individuais foi o melhor marcador da Série A em 1960 com 27 golos apontados e conquistou a Bola de Ouro da France Football em 1961 para melhor jogador europeu do ano, já que Sivori se naturalizou italiano tendo participado no Campeonato do Mundo de 1962 disputado no Chile pela squadra azzurra. Em apenas 9 presenças na nazionale Sivori apontou 8 golos...
Com o fim da carreira de Boniperti em 1961 e o regresso de Charles ao País de Gales em 1962 a squadra bianconera perdeu qualidade não voltando Sivori a conquistar qualquer scudetto até 1965, ano em que Avvocato Agnelli - apesar da enorme qualidade de Omar e do seu génio futebolístico, o presidente da vecchia signora fartou-se do seu terrível feitio, carácter indomável e conflituoso, tipicamente sul americano (teve 33 jogos suspenso durante 8 épocas...) - se decidiu pela venda do seu passe ao Nápoles. Para a história ficam os seus excelentes números como juventino: 253 jogos e 167 golos! Como referência fica que Sivori foi o autor do golo da vitória da Juve sobre o Real Madrid em 1962 naquela que foi a primeira vitória de uma equipa italiana em pleno Santiago Bernabéu. Detém ainda o recorde de golos num só jogo da Série A ao apontar 6 numa jogo de repetição em 1961 contra o Inter, embora os nerazzurri em sinal de protesto tenham apresentado a equipa Primavera, o resultado foi de 9-1...
Em Nápoles formou dupla com o italo-brasileiro Altafini que também no ano de 1965 chegou a Nápoles vindo do Milan. Com um tal de Dino Zoff na baliza, ainda jovem, o Nápoles começou o seu crescimento no Calcio tendo estado muito perto de vencer o scudetto em 1968 sendo superado por pouco pelo Milan. Quanto a Sivori ainda realizou as duas primeiras épocas a um nível aceitável mas, as duas seguintes já praticamente se arrastava em campo martirizado por lesões no joelho esquerdo, terminando assim a carreira aos 34 anos em 1969.
Regressa depois à Argentina, tem uma efémera passagem como seleccionador argentino, retirando-se assim do futebol durante muitos anos para a sua quinta em San Nicolas, sua terra natal.
Em 1994 é indicado pela Juventus como olheiro para a América do Sul, cargo que desempenharia até à data do seu falecimento a 17 de Fevereiro de 2005, vítima de cancro no pâncreas, aos 69 anos.
Sivori será sempre recordado como um dos grandes símbolos da Juventus, é o seu 5º melhor marcador de sempre e é considerado por muitos como o 3º melhor jogador argentino de sempre, só superado por Maradona e Di Stefano.