sábado, 6 de fevereiro de 2010

Desmotivante

Confesso que até há pouco tempo era sempre com enorme expectativa e emoção que assistia às partidas da Juventus. Durante o último mês esse entusiasmo tem-se esbatido, não apenas pela sucessão de maus resultados, mas acima de tudo pela estranha apatia e desmotivação com que a equipa bianconera se tem apresentado em campo. Hoje em Livorno voltou a ver-se mais do mesmo, não obstante a inovação táctica promovida por Zaccheroni.

Zac prometeu e cumpriu, defesa a três, com Cannavaro, Legrottaglie e Chiellini. Surpresa apenas na titularidade de Grosso em detrimento de De Ceglie. O jovem ala esquerdo tinha feito uma boa exibição diante da Lazio e foi, no mínimo, estranha a opção.
Quanto ao Livorno, apostou no povoamento do meio-campo, deixando as despesas ofensivas a cargo de Bellucci e da bandiera Lucarelli.

A squadra amaranta entra bem na partida, veloz e agressiva, demonstrando vontade em vencer o desafio perante uns bianconeri apáticos e desorganizados, uma espécie de orquestra sem maestro em que cada um toca aquilo que sabe. Colectivo nem vê-lo.
Apesar do ligeiro ascendente territorial da formação da casa, não conseguiam levar especial perigo até à baliza de Buffon. Isto até ao minuto 26, altura em que na sequência de uma jogada de insistência Vitale cruzou da esquerda para a entrada da pequena área onde surgiu Filippini, completamente sozinho, a cabecear para o fundo das redes da Juventus. Destaque para a estatura do médio amaranto (1,68 m), o que diz tudo sobre a falha de marcação gritante dos centrais bianconeri.
Somente em desvantagem se vê uma pequena reacção de orgulho por parte dos jogadores juventini. No entanto, o Livorno estava bem organizado defensivamente e exercia pressão alta, não permitindo grandes veleidades aos atacantes da Juve.
Rubinho apenas foi submetido a algum trabalho num pontapé livre de Del Piero aos 31'. E seria já nos instantes finais da primeira parte que a Juventus chegou à igualdade, naturalmente num lance de bola parada. Cruzamento de Diego e óptima elevação de Legrottaglie a cabecear sem hipóteses para o guardião brasileiro.

Animados com o empate, os bianconeri entram bem na segunda parte com Candreva a testar a atenção de Rubinho e Diego, com uma boa incursão pela esquerda, a tentar assistir Amauri que mostrou mais uma vez não ter a mínima classe de finalizador, numa movimentação completamente desastrada.
Filippini fica a centímetros da doppietta aos 72', quando surge novamente sozinho em zona proibida, só que desta vez rematou por cima do travessão.
A partida encaminhava-se sonolentamente para o seu término, até Felipe Melo entrar como protagonista e mais uma vez pela negativa. O brasileiro não evitou um choque com Diniz e viu o segundo cartão amarelo, decisão porventura exagerada por parte do árbitro, embora aceitável visto que Melo deixou o cotovelo propositadamente para magoar o seu adversário.
Reduzidos a 10 unidades, Zaccheroni equilibrou a equipa, fazendo entrar o jovem médio Giandonato, de apenas 18 anos, sacrificando Del Piero.
O Livorno tinha cerca de 10 minutos para tentar vencer a partida, mas o melhor que conseguiu foi obrigar Buffon a defesa apertada após bom trabalho individual de Marchini.

E vão cinco jogos consecutivos da Série A sem vitórias. Registo negro que confirma a queda abrupta na tabela. A qualificação directa para a Champions é, neste momento, apenas uma miragem.

Eis o vídeo com os highlights do desafio do Armando Picchi:

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