
Desta vez, a estrelinha da sorte esteve do lado dos bianconeri que apontaram o golo decisivo logo na jogada imediatamente a seguir à qual os nerazzurri desperdiçaram uma chance soberana. O desafio ficou ainda marcado pelos muitos nervos que levaram às expulsões de Mourinho e Felipe Melo, entre outros casos menos dignificantes.
Ferrara mudou novamente o esquema táctico, regressando ao meio-campo em losango com Sissoko e Marchisio como médios de transição, Felipe Melo no vértice mais recuado e Diego como organizador. Na frente, Del Piero e Amauri.
O desafio começa de forma electrizante com a Juventus a ser impulsionada para o ataque pelo público que esgotava o Olímpico. Aos 5' Amauri assiste Sissoko que não consegue finalizar da melhor forma, devido a Muntari que forçou o contacto físico com o maliano. Ficam muitas dúvidas sobre a legalidade do lance, Saccani mandou prosseguir. Dois minutos depois, novamente Amauri e Sissoko na jogada, valendo a antecipação de Motta a evitar males maiores para os nerazzurri.
O jogo cai então numa toada de enorme equilíbrio, bastante disputado a meio-campo, com a vertente física a ditar leis. A falta de espaço impera, sucedendo-se os lances faltosos de parte a parte.
Minuto 20: livre de Diego na direita, Chiellini consegue o cabeceamento, mas a bola desvia em Del Piero e depois em Felipe Melo, traindo de forma absolutamente incrível Júlio César! Estava feito o primeiro golo da noite! Mourinho aplaudiu de forma irónica e Saccani não teve contemplações, expulsando de imediato o treinador português! De facto, é discutível a acção de Samuel sobre Del Piero no lance que origina a falta e o golo.

O encontro regressa à toada de equilíbrio a meio-campo, com a combatividade e intensidade na disputa dos lances a serem assinaláveis. Registo apenas para uma rotação de Del Piero aos 39', para defesa fácil de Júlio César.
A vecchia signora apenas se aproxima do último reduto contrário aos 54', através de um remate de longe de Diego, para defesa segura de Júlio César. O Inter parecia mais forte e esteve perto de marcar aos 58'. Jogada de contra-ataque com Milito, Stankovic e Eto'o como protagonistas. A aflição e o desespero na defesa juventina foram evidentes, mas a bola acabou por parar nas mãos de Buffon, que lançou rapidamente a contra-ofensiva em Marchisio. O médio bianconero progrediu velozmente pela esquerda, viu bem Sissoko solto no corredor central e endossou-lhe a bola. O maliano avançou até à proximidade da grande área e rematou rasteiro, cruzado, para defesa incompleta de Júlio César, sobrando a bola para Marchisio que, com um extraordinário jogo de pés, tira por completo Samuel do lance e pica a bola à saída do guardião brasileiro, apontando um golo simplesmente fantástico!
O golo dá um enorme alento aos bianconeri, que se transfiguram, controlando por completo as investidas contrárias. Mourinho dá mais profundidade ofensiva ao Inter, lançando Balotelli e Mancini. Ferrara responde com as entradas de Camoranesi e Poulsen, que asseguram a manutenção da supremacia juventina na intermediária.
Aos 85' Balotelli comete falta sobre Felipe Melo, que tenta acertar uma cotovelada no nerazzurro. Saccani analisa bem o lance e mostra cartão amarelo ao brasileiro, seria o segundo, vendo em seguida o respectivo vermelho. A simulação de Balotelli, a enésima, funciona como rastilho, originando uma enorme confusão entre os jogadores de ambas as equipas. Buffon e Motta trocam empurrões e Chivu manda uma cabeçada em Sissoko, que passaria impune à equipa de arbitragem...

Eis o vídeo com os highlights do derby d'Italia:
2 comentários:
Novamente Grosso e o lado direito da defesa(leia-se Cannavaro e Cáceres, apesar da muita raça e vontade demonstradas pelo uruguaio) falharam, mas graças a Deus Marchisio resolveu aparecer no partida e decidiu o jogo. O jovem médio é muito promissor, tem muita técnica e justamente por isso precisa adquirir mais personalidade e participar mais do jogo, buscar o jogo e auxiliar Diego e Del Piero na criação das jogadas ofensivas. Sobre o esquema, o losango é o mais apropriado, e sem Camoranesi pois temos assim um meio campo mais marcador, seguro. Ainda assim eu colocaria Felipe Melo na transição à direita e Sissoko mais recuado.
Um detalhe: pelo que li, John Elkann esteve nos vestiários para motivar os jogadores. Parece que deu certo.
Bruno, tenho escrito bastante sobre as potencialidades de Marchisio e fico extremamente satisfeito por ele estar a confirmar todo o seu enorme talento. Depois de um excelente início de temporada, foi uma pena ter sofrido aquela lesão que o afastou dos relvados durante quase 2 meses e lhe quebrou um pouco o ritmo e a forma. Quase com 24 anos está na altura ideal para se afirmar, não só na Juventus, como na própria selecção italiana, onde acredito que seja um dos chamados para o Mundial.
Infelizmente, hoje não vamos ter Sissoko e afigura-se como provável a titularidade de Camoranesi. Se bem me lembro, no encontro de Munique, o ítalo-argentino deu um apoio inexcedível ao lateral, na altura Grygera, e espero que o mesmo venha a acontecer logo à noite.
Apesar de Felipe Melo ser fortíssimo fisicamente não creio que tenha as características necessárias para alinhar com desenvoltura como médio de transição, mas registo e respeito a tua opinião.
Acho que o Cáceres fez um bom jogo, não é nenhum fora de série, longe disso, mas esteve bastante acutilante, levando a equipa para a frente. Tal como escrevi anteriormente deve-se analisar bem a sua situação, se vale ou não a pena investir muitos milhões na aquisição do seu passe, quando existem boas alternativas e talvez mais acessíveis do ponto de vista financeiro.
É sempre bom quando um dirigente com algum peso vai aos balneários apoiar a equipa. Depois de duas derrotas deve mesmo ter provocado algum resultado nos jogadores, mormente nos aspectos psicológicos e de motivação.
Abraços
Enviar um comentário